Resultados da primeira sondagem no Vilametal!

Qual a principal razão para tão poucos concertos de Metal em Trás-os-Montes?
Votos: 38
Resultados:
-Desinteresse das bandas 0 (0%)
-Falta de público 6 (15%)
-Inexistência de bares/clubes com condições dignas 10 (26%)
-Insensibilidade artística dos responsáveis por organismos institucionais da região (Teatro de Vila Real, Centro Cultural de Chaves, etc) 19 (50%)
-Afastamento dos grandes centros urbanos 2 (5%)
-Outra razão 1 (4%)

7 comentários:

Ilídio Marques disse...

Bem, passo por cá algumas vezes desde que descobri este blogue.
Estudo em Vila Real, na UTAD, e percebo a vossa falta.
Acontece que Vila Real está longe dos grandes centros urbanos, é um facto a que muito não podemos fazer. Vejamos, eu sou de Barcelos e tenho facilidade em ir a Braga ou ao Porto, ou até mesmo a Vigo, ver um concerto.
Agora em Vila Real, quais são as minhas possibilidades?Quase nenhumas.
Ainda cá não estudava e recordo-me que os The Ransack passaram por Vila Real, no Hamburgueria Bar. E agora? Espaços? A Associação Espontânea ainda safa as coisas por aqui, mas no que toca ao Metal, não há nada. Não sou apreciador de metal, mas compreendo a vossa necessidade como compreendo a minha, mais direccionada para o rock, stoner, punk, doom, noise, experimental, etc etc.
Este ano, metal aqui perto, só mesmo o festival em Sta. Marta de Penaguião, que congratulo pela excelente organização, sendo num nível mais underground. Ah...e o Stoner Festival, que não tive oportunidade de ir.
O Teatro de Vila Real anda a falhar na programação. Até estou à espera da próxima programação, para ver se me conseguem finalmente surpreender com concertos mais alternativos. Aliás, o que me lembro de ver lá mais "pesado" desde que cá estou, exceptuando o concurso de bandas, foram mesmo os Wraygunn.
Outra coisa que me deparo, quando quero trazer alguma banda a Vila Real, além do facto de não ter um espaço ideal, é a despesa da banda até cá, que maior parte das vezes não querem pagar um cachet suficiente para cobrir a deslocação.
Vejamos, está aqui tudo, ou quase tudo, que poderia ser votado como razão principal. Mas a verdade é que isto tudo, complementa-se, e resulta no que podemos observar nestas terras: desaparecimento da cultura urbana.
Deixo o meu aval, para se um dia quiserem tentar fazer algo em Vila Real, seja um festival de uma noite só, ou apenas um concerto, poderem me contactar, pois terem todo o gosto em apoiar e trabalhar para tal.

Abraço,
Ilidio Marques
sonicinfusionrecords@gmail.com
www.myspace.com/sonicinfusionrecords

Já agora,
how was secret chiefs?
Vi na Amplificasom que estiveram por lá.
Era para ir, mas os bilhetes esgotaram e não tinha reservado. BAH!

Vilametal disse...

Viva,

Antes de mais, saudamos o teu excelente texto. Era bom que todas as colaborações no âmbito do Vilametal fossem tão ricas, construtivas e bem elaboradas/redigidas como a tua.

Vamos por partes:

a) A vinda de Ransack foi organizada por mim no Marc-Burger. O grande problema da sala é que o gerente se recusava a investir num PA decente. Ora sem PA = mau som = cada vez menos público. Tudo se resolveria com um investimento inferior a 2000 euros. Mas enfim, são opções. Da minha parte esgotou-se a motivação para organizar algo mais no local em causa.

b) Se és apreciador de Doom, és apreciador de Metal. Ou estarei errado :)?

c) O Liperske tem um cariz mais, digamos, underground mas, provavelmente, por isso é que sobrevive ao longo dos anos e tem sempre casa cheia. Em vez de lhe chamar "underground" prefiro ver a coisa como "uma organização com os pés bem firmes na terra".

d) O Stone Festival teve uma adesão média de 50 pessoas por noite. Começou sempre com mais de 3 horas de atraso. Fico triste quando noto que, em 2008, ainda há pessoal com esperança de poder organizar algo em condições não tendo o mínimo "calo" nestas coisas e publicitando tão pouco (e em tão pouco espaço de tempo) um evento.

e) A questão do Teatro de Vila Real - há sinais de uma maior "abertura" para os próximos tempos. Aguardemos pela nova programação.

f) Não posso comentar algo sobre a Associação Espontânea uma vez que nunca surgiu a oportunidade de a visitar. Mas sei que, de momento, não estão a marcar concertos e, tirando Lobster e Green Machine, não aconteceram lá concertos do meu interesse.

g) Não acho que tudo isto proporcione o desaparecimento da tal cultura urbana que referes. Penso que, ao invés, ela vai ganhando um culto cada vez mais underground (a tal palavra que queria evitar) e isso não é, de todo, negativo. Por outro lado, é cada vez mais fácil perceber o sentimento generalizado dos jovens da região ao quererem ir estudar para os grandes centros urbanos (por contraste a ficarem na UTAD, por exemplo). E uma dessas razões é óbvia: culturalmente, Vila Real é das capitais de distrito menos dinâmicas do país.

Aqui fica, pois, a minha visão das coisas.

Já agora, aproveita e increve-te no fórum www.vilametalforum.web.pt !

Secret Chiefs foi muito, muito bom! Devias ter ido! Conheço imensa malta que foi, mesmo sabendo que os bilhetes tinham esgotado e todos conseguiram entrar.

Até breve,
Guilhermino Martins
(vilametal@gmail.com)

zemiguel disse...

Boas! Sim, há poucos concertos por esta região mas acho que não é só o Metal que não tem expressão ao vivo em Trás-os-Montes, e todas as razões aqui dadas fazem um efeito tipo "bola de neve" para que não haja concertos.
Os únicos concertos que vejo com expressão são nas festas académicas (em que geralmente são bandas na minha opinião com pouco interesse musical) ou no Teatro em que esporadicamente trazem uma proposta interessante.
O afastamento dos grandes centros urbanos pode ser uma causa viável, e se calhar as bandas têm um bocado de desinteresse devido a isso, que leva a um desinteresse do público ou a falta dele. Eu vi Lobster na associção Espontânea com o organizador, o roadie e mais 4 amigos meus. Se fosse no Porto, Braga ou Lisboa de certeza que estava uma sala cheia nesse concerto.
A inexistência de bares/clubes também uma razão para a escassez de concertos, mas acho que a principal razão para isso é a falta de um circuito de sítios no país inteiro que faz com que donos de sítios não se interessem/apostem neste tipo de eventos.
A insensibilidade das instituições como o Teatro poderia funcionar como um motor de projecção de musica, mas muitas vezes as pessoas que dirigem esses espaços não tem a percepção do público de musica mais alternativa, ou não tem a abertura de mente necessária para apostar nesses estilos.
Acho que só pode ser possível isto ir para a frente se se construir um circuito de concertos em pontos importantes pelo país, com condições dignas para se concretizar digressões pelo país, ou ser os teatros ou outras instituições a se encarregarem disto.
Só a minha opinião.

Zé Miguel

Gravepisser disse...

Depois do resultado da sondagem e do que foi dito nos comentários anteriores, pouco tenho a acrescentar...
De referir que eu era um frequentador assíduo dos concertos no Marc-Burguer, mesmo tendo de conduzir 150 km numa noite para assistir aos mesmos, e sou testemunha do que o Guilhermino refere em relação à precariedade do espaço e consequente decréscimo do interesse por parte do público, da organização (excelente, por sinal, tendo em conta as limitações) e até das próprias bandas...
É lamentável, de facto, que pela "mísera" quantia de 2000 euros (levando em linha de conta que as margens de lucro de um bar são, ainda hoje, consideráveis, e a afluência de pessoal não era nada de desperdiçar) a administração do dito bar tenha decepcionado a malta que se habituou a ver espectáculos de excelente nível, como foram, por exemplo, os concertos de Thee Orakle, The Ransack ou Holocausto Canibal, que me lembre assim de repente...
Ainda mais lamentável é o facto de não existirem, numa região onde proliferam tantas e boas bandas de metal, espaços alternativos onde seja possível a organização de eventos que dignifiquem este género musical em particular, eventos esses que seriam proveitosos para todos, como é evidente. A boa música deve ser preservada e incentivada, num país onde a podridão de pseudo-bandas "made in fake television channels" prolifera e entope os sentidos de qualquer um cuja sensibilidade musical vá além do vulgar e fastidioso "pimba"...
É tudo, da minha parte.

(Um grande abraço ao Guilhermino, e as minhas desculpas pela prolongada ausência, apareço qualquer dia online para dar um pouco de água sem caneco.)

Cumprimentos

Ilídio Marques disse...

a) O grande problema de hoje, no que respeita à cena underground nacional, é que da maioria dos bares actuais nas periferias, poucos se conformam com a ideia de que devem fazer investimentos desse carácter se querem ter lá bandas ou artistas. Um pouco culpa, talvez, do medo que atinge a todos causado pela suposta "crise financeira nacional". Mas é do direito do consumidor e do dever de entidade que fornece o consumo, que estejam reunidas as condições mínimas possíveis para a realização de um espectáculo. Ora, o que acontece hoje em dia, é que nem estas tais mínimas condições estão asseguradas em maior parte do espaços. Conheço, pessoalmente, alguns casos no norte do país onde isto aconteça.
No caso especifico, Marc-Burguer em Vila Real, estamos a falar de um local onde passam centenas de estudantes universitários durante a noite, onde tem quase sempre a casa cheia.
É um investimento ideal, pois marcava pontos na oferta cultural da cidade e colmatava a inexistência de um bar para concertos em Vila Real.

b) Não de todo. Embora os dois estilos tenham ligações entre si, não sou ouvido ao Metal. Nada referente a black metal ou death metal, aparecem na minha discoteca (gosto do duplo sentido desta palavra). No entanto, o meu metal, estende-se ao heavy, e torna-se muitas horas de Pentagram e Black Sabbath (interessante: a primeira representou os EUA no Doom Metal nos anos 80, a segunda - que é dos 70 -influenciou todas as restantes até hoje e ditas "doom metal", com temas como «Black Sabbath».
Dentro do doom, o stoner doom (SLEEP, Acid King ou Electric Wizard), o Drone (grandes Boris, Earth ou Sun O) e o Sludge.
Doom Metal sim, Metal só não.

c) Sim, também me pareceu isso, principalmente comprovado com a quantidade presente de gente este ano.

e) A nova programação já saiu e não ser The Botwms, nada me atrai.

f) Sim, esses devem ser. Até porque conheço bem as duas e sei capazes do que elas são.
Deveria haver mais concertos deste nível em Vila Real.
Embora haja outras coisas que me despertam curiosidade, por exemplo, amanhã estou na Espontânea para ver Azevedo Silva.

g) Sim, fica gradualmente mais ainda como underground. O que acontece é que a oferta continua a ser uma raridade por estas bandas e isso vai matando lentamente a vida e coluna cultural de uma cidade.
O que me decepciona ainda mais é que existem pessoas para ver, mas o poder dos espaços de música plástica como Andrómeda ou Looks é tão grande, que torna-se o marco nocturno da cidade e a única via de oferta de produto ao consumidor, em geral, que procura. E o consumidor geral tem que se sujeitar a estes espaços para socializar ou o que quer seja.
Eu não os frequento, mas conheço muita gente que o faz por não ter mais alternativas.


Abraço,
Ilídio Marques

Vilametal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vilametal disse...

a) Partilhamos a mesma visão sobre o estado actual das coisas. Mas a "crise" não pode justificar tudo.

b) Quando falo em Metal no sentido lato incluo o Doom, tal como incluo o Death, o Black, o Heavy, o Thrash e tantos outros géneros. Daí ter estranhado a divisão que inicialmente fizeste.

e) Eu referia-me à programação de 2009.

g) Sem dúvida. As pessoas acabam sempre por sair à noite, mas ao invés de irem até um bar com bandas ao vivo, resignam-se frequentando esses locais de que falas.

É a cidade que temos.

Até breve,
Guilhermino Martins